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04/12/2005 17:29
Abapuru - Tarsila Amaral
......ontem conheci a vida de um poeta. Ser poeta não é profissão: é estilo de vida. É preciso ter a alma desprendida e um coração viajante que busca sempre o novo e o verdadeiro de alguém. Ah! o poeta! Constrói seus poemas sob o jugo de uma métrica esse controle a sua vida não pode ter. É cercado de pletoras registradas no cotidiano de sua magnitude. O retrato do ser, em um poema concreto, dá forma a essa vida que concreta.
Os amores vêm e vão; mas permanece a crença de que o último será sempre o melhor. O mais gostoso, d e n g o s o. . . Esse amor faceiro que enche de contentamento, o poeta contente. O poeta é aquele que se lança de peito aberto para as empreitadas e não teme o desalento dos seus atos (agir é sentir!). O amor e o desamor são facetas de um mesmo entregar. Rejubila-se em viver. O poeta precisa estar vivo.
Não se pode, para o poeta, viver omisso, caolho, meio termo, mais ou menos, sei lá o quê... Para ele tudo tem que estar no seu limite, no seu todo, ao máximo. O melhor dia do mundo e o pior dia de sua vida serão vividos com a mesma dignidade e euforia. É curioso ver quem consegue viver em seus extremos - quase transbordando. O poeta se nutre dessas coisas que fazem a vida digna de ser vivida, mas apenas para aqueles que são bravos e corajosos.
Ah! mas ele vagará no mundo como um incompreendido. Existe também uma sina em ser poeta. É muito apego e desapego nessa vida. Só os que são sabem: os que não sabem, catam as fagulhas desse terremoto e imaginam como deveria ser se entregar de todo, não só um pouco...
enviada por anacris
20/11/2005 18:26
...hoje, meu passado cruzou a minha frente. (Senti uma tranqüilidade por constatar que o Senhor do Tempo se encarrega de trazer a felicidade aos que, a aguardam e, a merecem). Senti também uma espécie de curiosidade reminisciva ao tentar restabelecer, de algum modo, esse pretérito. Queria observar o universo paralelo que corre nesse instante, quando as decisões de outrora modificaram, significativamente, os cursos dessa vida. Talvez, a física quântica possa indicar as alternativas de existência desse exato momento: são infinitas as possibilidades percorridas em uma mesma vida. Vivo a vida que penso que escolhi. Há sempre algo do teu passado presente em ti.
Não queria outra vida, nem me arrependo das escolhas que fiz... Almejei apenas ser voyeur da minha própria história. Ao abrir a porta vermelha, deixaria de ser coadjuvante da cena que não mais me enquadra. Veria esse filme em preto-e-branco rodado em sal de prata. Não me importa o final, nem o enredo desse épico. Apenas fragmentos de curta metragem bastariam para saciar meus anseios recônditos. É de uma saudade distante a que me refiro. Não desejo o que já não mais me pertence... nem busco isso para mim. O passado tem o seu real lugar na biografia de alguém... Não há transferências sem perda. Nem escolhas, sem exclusão.
Busco compreender se nesse instante que corre ao lado eu seria muito diferente do que sou/estou. Se a vida não-vivida tem mesmo esse poder de transformar e sublimar a existência. Poderia ser outra, sendo eu mesma? As escolhas que deixamos para trás modificam a nossa existência? Seria eu, pelo que não decidi, outra pessoa melhor ou pior? Ou certos princípios norteadores não se transformam, mesmo que se atravesse diversas probabilidades?
Se em um buraco negro posso encontrar o meu passado vivido: onde buscar o passado que é incógnita para mim?
enviada por anacris
29/08/2005 16:38
Ricardo Araújo (2005)
... é na linguagem corporal que me revelo. Falo menos e pressinto mais. Não posso deixar de notar que cada respiração, mesmo o riso largo na boca, o olhar pausado em uma insinuação desconcertante são componentes importantes de uma complexa composição de sentimentos movidos por sensações internas e externas. Nos comunicamos, concomitantemente, por dentro e por fora...
Sinto, vivo e não-falo... O que importa saber o que pensas sobre qualquer coisa que o seja? O que vale é o que capto na expressão que revela o seu ser nesse instantâneo fabuloso.
Percebo você mesmo à distância. Noto os contornos que faz para chegar até mim. A variação elíptica do teu corpo não me confunde as idéias, apenas desvia o olhar.
Enquanto falo, o corpo realiza mecanismos de sua linguagem íntima funções biológicas em constantes sinapses. Elas revelam que tudo que vivo/existo está em mim incorporado... Os registros de todas as sensações e percepções estão marcados para sempre no nosso ser...
Se o teu corpo me desperta como posso me conter a seu contento? Se te sinto em mim, como posso permanecer calada....? Quero agora saber de você apenas o que seu corpo não diz. Aquilo que nem o silêncio do mundo seria capaz de captar... Diz aqui: ao meu ouvido...
O corpo quando fala realiza uma dança frenética: são ondas e ondas de comunicação e expressão...
enviada por anacris
26/06/2005 23:08
...hoje, queria acreditar que há mesmo um pote de ouro no fim do arco íris esperando por todos. Quero crer no íncrivel...
Mirei o céu azul e pedi que tempos melhores chegassem. Que assim o seja!
enviada por anacris
09/06/2005 22:04
World
... quando não esperar mais nada: aparecerei para ti! Sou sombra de tua ilusão; rima de prosa e sabão. Uma felicidade desmesurada me acompanha; sonhos e desilusões. Tenho pressa de mim mesma e planejo pontes para os devaneios de alguém. Também não sei se sou boa ou má; também não me preocupo mesmo com isso... Só sei que quero de verdade uma pureza nalma dos outros. Um mergulho no que se tem de infinito. Uma fé na crença de que tudo pode ser mesmo melhor. Quero até pouco, eu acho. Perambulo entre diversos mundos e várias forças me acompanham. Mesmo que os astros sinalizem como será o meu dia; serei instrumento do meu coração. Por isso mesmo, tenho urgência de vida: de encontrar essa tal f e l i c i d a d e - c l a n d e s t i n a.
enviada por anacris
07/06/2005 00:25
Lion
...hoje magoei quem eu gosto. Aliás, magoar quem se gosta é quase trivial: hoje magoei quem eu amo. Agora estou aqui, com uma dor enorme em meu peito. Dor de quem sabe que feriu e mais: dor de saber que as palavras não voltam atrás... Conheço a sua força. Vislumbro o seu alcance.
Não posso me desculpar. Falei o que penso e sinto. Creio que, às vezes, é melhor não pensar nem sentir. Mas senti dor, falta, perda, vazio... Desassociei-me da centralidade inerente ao meu ser. Chutei o balde da racionalidade e mergulhei na pieguice da existência. Acreditei no que pode haver de mais pequenino no sentimento de alguém.
Quis aprisionar quem merece aprender a ser livre. Creio que hoje podei asas que certamente voariam mais alto... Será que esqueci do que me pus a acreditar nos últimos tempos?!
Queria a varinha de condão que transforma paraíso em ilusão. Transmutar o acaso e viver outra razão. Como é difícil procurar ser em essência quando se sabe que do outro lado há a essência de outro ser.
Buscava exercitar a relevância do meu eu. Grande coisa... Hoje, sinto-me como o bichinho que sabe que fez coisa errada, mesmo sentindo-se certo.
enviada por anacris
06/06/2005 23:29
Woman Alone
... então, ela disse 'adeus'. Aos seus anseios, as suas buscas primárias. Encontrou-se por si só, em um mergulho para si mesma, com profundidade e vigor. Estar ou não perdida nesse percurso, não mais lhe fazia sentido indagar. O vento lhe batendo a face transportava-a para outras paragens. O caminho se fazia ao andar. Não era rápido, não era fácil, era apenas necessário. Não pense você com isso que haveria de ser uma resignação pela sua sina de vida. Muito menos, um jeito profano de se perder para se achar. Ela ia um pouco mais... em essência e experiência, ela desfrutava os prazeres da vida.
Sim ! Por que vida tem culpa católica, mas tem também fé pagã.
enviada por anacris
05/06/2005 22:10
Blue
...tudo azul nessa nova atmosfera terrestre. Quero o mundo girando seus círculos de anil. Quero a descoberta do novo a cada minuto subseqüente. Quero encontrar o querer contido em cada ser. Quero saber se os seus desejos conduzem aos meus. Quero aprender a cada segundo com a sua magia. Que agradável surpresa deparar-me com você, nesse dia...
enviada por anacris
01/05/2005 22:51
Klimt
...mais um domingo em terras frias. Hoje senti falta do calor de casa. Já aprendi a viver com a saudade. Mas queria brisa e mar... Às vezes me sinto clandestina nesse lugar. Queria o colo daquele que ama incondicional... O tempero do lar... Um aconchego que embala; te nutre. Senti-me em um lapso de solidão. Então, meus olhos fitavam o longe e uma falta me preenchia. Vinha uma urgência de gente... Daquela face que não te causa estranhamento. Da palavra dita na medida certa. Hoje: queria rir entre os meus...
enviada por anacris
26/04/2005 14:56
Nautillus
...estou com uma bola, que feito nó, oprimi a minha garganta. Ao mesmo tempo em que comprime a minha traquéia, os seus reflexos espraiam-se até o meu estômago. Desconheço o percurso anatômico que ela estabelece em mim. Essa bola fica no meio do meu centro de expressão. Mas isso não me importa: há tempos que não me comunico por palavras...
Gostaria muito que ela se transmutasse em algo mais concreto. Essa bola repleta de sentimentos, que não consigo distinguir ao certo, me causa uma indefinição quase biológica. Ela poderia subir e, quem sabe, transformar-se em um sonoro arroto. Ou ainda, se ao descer ela se revelasse um absorto flato. Mas, não... essa bola está ai para me comprimir o sentir...
enviada por anacris
23/04/2005 10:58
Ballet Deborah Colker
...costumo achar que as pessoas que dançam são muito mais felizes. Não precisam apenas das palavras para exprimir sentimentos: falam por cada poro de seu corpo. Um corpo que flana e arde sobre todos e quaisquer sentir. As palavras limitam nossa percepção e o estado de "garça" permite-nos ir muito mais além...
As profundezas do nosso eu podem ser decididamente expurgadas como em um verdadeiro pax de due. Posso dançar durante horas, sozinha; os passos não são harmônicos, mas sinto a força interior que pulsa em mim. Sinto-me forte, viva e bela. Me sinto vida.
Até mesmo um bater de pés, ritmados pelos sons da alma, já me revigoram a existência. O suor que pinga no assoalho faz-se reflexo da catarse fleumática por que passa a minha significação. Já não distingo o que é onírico do que é real. Transito nessa dubiedade que é o ser.
Estamos em um lapso de vida. Em uma frugalidade do existir. Permaneceremos nela; pululando ou paralisados. Prefiro a existência ritmada, curtida, sentida... Essa é uma provocação para os que aqui estão, afinal, muitas vezes, vivemos inanes diante do dia nosso de cada dia...
A minha alma pede passagem! Longe das amarras do antropocentrismo ou de qualquer definição cientifica quanto a termos um universo que se estende pelas bordas, ou não. Se o universo está em expansão em seus estados mais longínquos por que não posso me refazer pelos meus extremos?
Busco os loucos, os sãos; os bons e maus; os altruístas e também os egoístas; procuro os altivos e cabisbaixos, os esquisitos, os complexados, os ufanistas... Busco as jactâncias em todos os seres, uma vez que essas polaridades são composições de um mesmo eu. Somos o incerto, o dúbio, o talvez... As certezas estão com os tolos que precisam crer em suas convicções; que precisam de um norte que lhe mostrem os caminhos. Desejam a vanglória do seu trôpego permanecer.
O medo de se perder é de tal profundidade que nos fazem ficar absortos em uma sobrevida factual, no limbo dos sentimentos, na bazófia da percepção. Caolhos de vida e de viver. Precisamos rodopiar nas fogueiras da gabolice para que tontos, desmaiemos e o despertar nos irrompam quando o alarde sinalizar que os novos tempos já chegaram. Só os que dançam e se reinventam conseguem recriar a sua existência... Então, que tal começar a dar os seus saltinhos?...
enviada por anacris
09/11/2004 19:54
...hoje vi um pôr do sol M A R A V I L H O S O !! Aqui, nesta cidade, que tenho sempre reclamado... Não sei se ele tinha outras cores ou se meus olhos viam mais amores... Só sei que senti cheiro de vida também. E um frescor que subia o corpo que até mesmo as cigarras se puseram a cantar. E olha que os passsáros já voavam há tempos... Os bichinhos do mato pousavam na gente como se soubessem quem era aquele ser embaixo de seus 'pés'... Uma mistura de ids, egos e super egos que formam o que está mais para lá... Nem só de gente ou de bicho que se vive a vida...
enviada por anacris
09/09/2004 01:10

...continuarei buscando o sentido dessa vida. O sentir tido como o elemento essencial. Em todos os sentidos. O sentido que caminhamos revela-nos o sentir e o sentido do que nos afeta os sentidos. Sinto que a vida faz sentido em suas maiores perplexidades.
enviada por anacris
25/08/2004 01:46
Celebrem o Amor, a Paz e a Alegria de Espirito. Celebrem a vida!!!>
enviada por anacris
01/07/2004 01:04
"Como a demanda não constitui obstáculo para a produção, porque é criada por esta, então a acumulação de capital e o desenvolvimento econômico passam a ser determinados apenas pelas condições da produção. Entre estas, a taxa de lucro tem um papel essencial, porque quanto maior ela for, maior será a taxa de poupança e, consequentemente, a taxa de acumulação. Considerando-se que o preço é dado (isto é, determinado pelas condições de concorrência), o lucro passa a depender do salário: quanto maior este, menor aquele. A suposição fundamental dessa conclusão é a de que a renda total (composta de salários e lucros) é uma grandeza dada: daí, o aumento na parcela dos salários dá como resultado uma redução de igual magnitude na parcela dos lucros. Logo, o principal empecilho à acumulação passa a ser o aumento de salários"
Jorge Miglioli em prefácio à Michal Kalecki em "Teoria da Dinâmica Econômica"
... é essa a ilusão que querem que acreditemos.
enviada por anacris
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