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23/04/2005 10:58

Ballet Deborah Colker

...costumo achar que as pessoas que dançam são muito mais felizes. Não precisam apenas das palavras para exprimir sentimentos: falam por cada poro de seu corpo. Um corpo que flana e arde sobre todos e quaisquer sentir. As palavras limitam nossa percepção e o estado de "garça" permite-nos ir muito mais além...

As profundezas do nosso eu podem ser decididamente expurgadas como em um verdadeiro pax de due. Posso dançar durante horas, sozinha; os passos não são harmônicos, mas sinto a força interior que pulsa em mim. Sinto-me forte, viva e bela. Me sinto vida.

Até mesmo um bater de pés, ritmados pelos sons da alma, já me revigoram a existência. O suor que pinga no assoalho faz-se reflexo da catarse fleumática por que passa a minha significação. Já não distingo o que é onírico do que é real. Transito nessa dubiedade que é o ser.

Estamos em um lapso de vida. Em uma frugalidade do existir. Permaneceremos nela; pululando ou paralisados. Prefiro a existência ritmada, curtida, sentida... Essa é uma provocação para os que aqui estão, afinal, muitas vezes, vivemos inanes diante do dia nosso de cada dia...

A minha alma pede passagem! Longe das amarras do antropocentrismo ou de qualquer definição cientifica quanto a termos um universo que se estende pelas bordas, ou não. Se o universo está em expansão em seus estados mais longínquos por que não posso me refazer pelos meus extremos?

Busco os loucos, os sãos; os bons e maus; os altruístas e também os egoístas; procuro os altivos e cabisbaixos, os esquisitos, os complexados, os ufanistas... Busco as jactâncias em todos os seres, uma vez que essas polaridades são composições de um mesmo eu. Somos o incerto, o dúbio, o talvez... As certezas estão com os tolos que precisam crer em suas convicções; que precisam de um norte que lhe mostrem os caminhos. Desejam a vanglória do seu trôpego permanecer.

O medo de se perder é de tal profundidade que nos fazem ficar absortos em uma sobrevida factual, no limbo dos sentimentos, na bazófia da percepção. Caolhos de vida e de viver. Precisamos rodopiar nas fogueiras da gabolice para que tontos, desmaiemos e o despertar nos irrompam quando o alarde sinalizar que os novos tempos já chegaram. Só os que dançam e se reinventam conseguem recriar a sua existência... Então, que tal começar a dar os seus saltinhos?...

enviada por anacris






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