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29/08/2005 16:38

Ricardo Araújo (2005)

... é na linguagem corporal que me revelo. Falo menos e pressinto mais. Não posso deixar de notar que cada respiração, mesmo o riso largo na boca, o olhar pausado em uma insinuação desconcertante são componentes importantes de uma complexa composição de sentimentos movidos por sensações internas e externas. Nos comunicamos, concomitantemente, por dentro e por fora...
Sinto, vivo e não-falo... O que importa saber o que pensas sobre qualquer coisa que o seja? O que vale é o que capto na expressão que revela o seu ser nesse instantâneo fabuloso.


Percebo você mesmo à distância. Noto os contornos que faz para chegar até mim. A variação elíptica do teu corpo não me confunde as idéias, apenas desvia o olhar.

Enquanto falo, o corpo realiza mecanismos de sua linguagem íntima – funções biológicas em constantes sinapses. Elas revelam que tudo que vivo/existo está em mim incorporado... Os registros de todas as sensações e percepções estão marcados para sempre no nosso ser...

Se o teu corpo me desperta como posso me conter a seu contento? Se te sinto em mim, como posso permanecer calada....? Quero agora saber de você apenas o que seu corpo não diz. Aquilo que nem o silêncio do mundo seria capaz de captar... Diz aqui: ao meu ouvido...

O corpo quando fala realiza uma dança frenética: são ondas e ondas de comunicação e expressão...

enviada por anacris






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