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20/11/2005 18:26
...hoje, meu passado cruzou a minha frente. (Senti uma tranqüilidade por constatar que o Senhor do Tempo se encarrega de trazer a felicidade aos que, a aguardam e, a merecem). Senti também uma espécie de curiosidade reminisciva ao tentar restabelecer, de algum modo, esse pretérito. Queria observar o universo paralelo que corre nesse instante, quando as decisões de outrora modificaram, significativamente, os cursos dessa vida. Talvez, a física quântica possa indicar as alternativas de existência desse exato momento: são infinitas as possibilidades percorridas em uma mesma vida. Vivo a vida que penso que escolhi. Há sempre algo do teu passado presente em ti.
Não queria outra vida, nem me arrependo das escolhas que fiz... Almejei apenas ser voyeur da minha própria história. Ao abrir a porta vermelha, deixaria de ser coadjuvante da cena que não mais me enquadra. Veria esse filme em preto-e-branco rodado em sal de prata. Não me importa o final, nem o enredo desse épico. Apenas fragmentos de curta metragem bastariam para saciar meus anseios recônditos. É de uma saudade distante a que me refiro. Não desejo o que já não mais me pertence... nem busco isso para mim. O passado tem o seu real lugar na biografia de alguém... Não há transferências sem perda. Nem escolhas, sem exclusão.
Busco compreender se nesse instante que corre ao lado eu seria muito diferente do que sou/estou. Se a vida não-vivida tem mesmo esse poder de transformar e sublimar a existência. Poderia ser outra, sendo eu mesma? As escolhas que deixamos para trás modificam a nossa existência? Seria eu, pelo que não decidi, outra pessoa melhor ou pior? Ou certos princípios norteadores não se transformam, mesmo que se atravesse diversas probabilidades?
Se em um buraco negro posso encontrar o meu passado vivido: onde buscar o passado que é incógnita para mim?
enviada por anacris
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